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UFPE DIVULGA PESOS DE PROVAS DO ENEM Titulo
15/Out/14

UFPE DIVULGA PESOS DE PROVAS DO ENEM

O Conselho Coordenador de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Pernambuco (UFPE) definiu na tarde desta segunda-feira (13) os pesos que as provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, terão para os 100 cursos oferecidos pela instituição. Ao contrário dos processos seletivos realizados até então pela universidade, a redação terá uma importância diferente para cada curso. No total, serão oferecidas 6.672 vagas em todos os campus da universidade para o próximo ano. Confira nos links abaixo as tabelas com os pesos:

» TABELA DE PESOS 1 » TABELA DE PESOS 2

O critério usado para definir os pesos se baseou nas disciplinas específicas aplicadas como segunda fase do vestibular pela Covest até o ano passado. Seguindo essa lógica, o curso de medicina – tradicionalmente um dos mais concorridos da instituição – fica com os seguintes pesos: redação (1), matemática (3), linguagens e códigos (2), ciência humanas (1) e ciências da natureza (3). Para todos os cursos, a soma dos pesos será sempre 10.

CONFIRA TAMBÉM » UFPE corrige tabela de pesos e notas mínimas dos cursos de letras » UFPE cria bônus regional e amplia cotas

Além dos pesos, as coordenações dos cursos também definiram uma nota mínima que o aluno deve tirar em cada prova. Esse critério funcionará como uma espécie de ponto de corte, e também varia de curso para curso. Assim, tomando mais uma vez medicina como exemplo, as notas mínimas são: redação (400), matemática (350), linguagens e códigos (100), ciências humanas (100) e ciências da natureza (300). Nos links das tabelas acime é possível conferir os pesos e notas mínimas dos demais cursos.

O anúncio dos pesos das provas vem a menos de um mês antes da realização do Enem, o que provocou muita ansiedade por parte dos alunos. “Tivemos que reunir representantes de 100 cursos de toda a Universidade e isso não é fácil. Ponderamos todas as implicações das mudanças feitas e tomamos a decisão conscientes de tudo. Acreditamos que o estudante que estiver preparado para concluir o ensino médio também vai estar preparado para passar por esse processo”, disse a pró-reitora Ana Cabral. 

Fonte: NE10 - 14/out/2014

 

DIVERSÃO NA HORA DE ESTUDAR PARA A UPE Titulo
22/Set/14

DIVERSÃO NA HORA DE ESTUDAR PARA A UPE

Estudantes que farão seleção tradicional ou seriada devem assistir aos filmes sugeridos pela universidade. Boa oportunidade de aliar lazer e informação

 

Por Margarida Azevedo - Jornal do Commercio 27/julho/2014

 

Não só livros e apostilas são fontes de informações para estudantes que se preparam para os vestibulares. Perto das férias de meio de ano terminarem, ainda dá tempo de, antes de retomar as aulas, assistir a alguns dos filmes sugeridos pela comissão organizadora do vestibular da Universidade de Pernambuco (UPE). Uma boa oportunidade para aliar lazer e informação.

São 12 títulos. Para os alunos que vão fazer o Sistema Seriado de Avaliação (SSA), a indicação é de apenas quatro películas em cada série do ensino médio. Os 12 filmes aparecem como sugestão para os feras do vestibular tradicional. “Assuntos históricos, ambientais, questões sociais e políticas e alguns romances da literatura são temas constantes nos vestibulares. Para uma possível redação ou mesmo na prova objetiva, os filmes são fonte extra de estudo que, usados com sabedoria, só têm a agregar no aprendizado”, observa a diretora pedagógica e professora de história Colégio Ideia, Fátima Seabra.

A professora ressalta, porém, que “o aluno deve procurar se inteirar sobre o assunto da obra antes de assistir aos filmes, pois, ao ter noção do conteúdo que será abordado na película, terá mais condições de compreendê-lo e relacioná-lo com a atualidade”.

O professor de literatura Eduardo França, também do Colégio Ideia, divide a lista de filmes da UPE em três grupos.

“O primeiro traz filmes que buscam retratar diferentes faces do Brasil ou da América Latina”, afirma Eduardo.

Estão nesse grupo metade dos 12 filmes sugeridos pela UPE: Caramuru, Carlota Joaquina, Guerra de Canudos, Baile Perfumado, Narradores de Javé e Diários de Motocicleta.

O segundo grupo, na avaliação do professor, é formado por filmes que são adaptações cinematográficas de romances ou peças da literatura brasileira: O Nome da Rosa, A Hora da Estrela, O Auto da Compadecida e Memórias Póstumas de Brás Cubas. “Neste grupo também podem ser incluídos Caramuru e Guerra de Canudos”, enfatiza Eduardo.

“As especificidades do roteiro, das cenas, a visão do diretor ou as semelhanças e diferenças entre o romance e a adaptação cinematográfica são completamente ignoradas pelas provas da UPE. O vestibular não aborda o filme nas suas especificidades cinematográficas, mas, simplesmente, espera que o aluno, ainda que de forma facilitada, conheça a história que deu origem ao filme, isto é, o romance”, destaca Eduardo.

O terceiro e último grupo, com apenas dois títulos, é formado por filmes que põem em evidência o valor da literatura e da cultura: Sociedade dos Poetas Mortos e Meia-noite em Paris.

Veja as observações que os professores Fátima Seabra (História) e Eduardo França (Literatura), do Colégio Ideia, fizeram sobre os filmes que constam do programa do SSA e do vestibular da UPE:

CARAMURU - A INVENÇÃO DO BRASIL é um filme bem humorado, que mostra de uma forma divertida e descontraída a época das navegações portuguesas, o Descobrimento do Brasil e as primeiras relações entre indígenas e europeus após a chegada destes ao Brasil, entretendo os espectadores ao longo do filme. No geral os estudantes podem observar que a obra relata de uma forma clara e concreta o convívio de povos distintos no início da colonização, apresenta bem o choque cultural entre os dois povos, e o interesse dos europeus nas matérias-primas e também no tão sonhado ouro. O filme é cômico e exagerado em alguns momentos, mas ao mesmo tempo se preocupa também com a veracidade de certos fatos.

CARLOTA JOAQUINA, A PRINCESA DO BRASIL também uma sátira, tal qual o filme anterior, retrata o Período Joanino, período da História do Brasil em que a coroa portuguesa esteve na Colônia, e baseada em textos históricos, a obra procura desmistificar os personagens históricos, tidos, muitas vezes, como seres superiores, como quando apresenta a figura de D. João, mostrando os maiores defeitos do regente (gula, preguiça, comodismo, personalidade fraca e pouco conhecimento político), e na relação entre ele e a esposa, Carlota Joaquina, quando explicita como naquela época a família era uma instituição simbólica. No filme, porém, ocorrem muitas omissões dos feitos da coroa em território brasileiro, como a abertura dos portos para o comércio internacional, a criação da capela real, da imprensa régia e de quase todos os demais feitos no Período Joanino no Brasil. Apesar disso a película mostra algumas das mais importantes criações, como o Banco do Brasil e o Jardim Botânico. Para ter uma visão bem detalhista do filme, o aluno precisa ter um conhecimento prévio de todo o período histórico e o contexto em que se passa porque, apesar de detalhar alguns momentos importantes, o filme é muito omisso e, algumas vezes, controverso com a realidade.

O filme GUERRA DE CANUDOS (inspirado em Os Sertões, de Euclides da Cunha) apresenta um momento muito crítico do sertão nordestino no início da República no Brasil, no Arraial de Canudos, fundado por Antônio Conselheiro, líder religioso, considerado um Messias pelos seus seguidores, no interior da Bahia: problemas como fome, seca e miséria, ressaltando os impostos a serem pagos, situação imposta pela nova república, considerados um abuso pela população. A região, na época, vivia uma grande crise econômica e social, em decorrência de grandes períodos de secas, desemprego, e à decadência dos latifúndios da região, que já se encontravam improdutivos em sua grande maioria. Na obra pouco se fala sobre como o Arraial de Canudos foi formado, sobre os motivos, preocupa-se mais com a vida da família, as dificuldades, a situação imposta pela nova república, a alta cobrança de impostos, e em apresentar a República como um “Monstro”, na qual o presidente era Marechal Floriano Peixoto.

O BAILE PERFUMADO proporciona ao espectador uma oportunidade única de entretenimento de qualidade e mergulho em parte da vida de uma das mais controversas figuras da história do Brasil: Virgulino Ferreira, o Lampião. A obra retrata a saga real do famoso Lampião, responsável por revoltas no sertão nordestino através das únicas imagens existentes do cangaceiro. Essas imagens, que aparecem no filme em preto e branco, foram confiscadas pela ditadura do Estado Novo. Um aspecto relevante que pode ser notado na obra: é o olhar estrangeiro para o nosso país, pois a história é contada pela ótica do libanês Benjamim, o que faz com que os fatos ligados ao banditismo social no Brasil sejam analisados sob a perspectiva de uma nova visão. O filme dá um show nos figurinos dos cangaceiros além de ser, sem dúvida, um dos melhores filmes lançados pelo cinema nacional nas últimas décadas, e o aluno, pensando além dos vestibulares, deve ser instruído e ajudado no sentido de ser capaz de reconhecer a beleza das cenas, a construção da narrativa e, lógico, apreciar a trilha sonora do filme, composta por Chico Science e Nação Zumbi, Mestre Ambrósio, Fred Zero Quatro, entre outros.

O filme NARRADORES DE JAVÉ tem como tema principal a narração, tendo como alicerce as pluralidades orais das personagens. É importante que os estudantes vejam na obra um Brasil de todos os brasileiros: as etnias, religiões e classes excluídas, o desespero, o sofrimento e luta, através de palavras dramáticas recheadas de sutileza, ironia e momentos tragicômicos que desenham a realidade brasileira, mais uma vez, no cenário do Sertão Nordestino. O filme apresenta, de maneira fantástica, e é também de extrema importância que isto seja observado pelos estudantes, a construção do discurso histórico, através da problemática disputa entre a história oficial e a história oral, quando inclui a presença da oralidade e escrita no filme, assim como as tradições e culturas, e a discussão sobre a preservação das cidades e do patrimônio imaterial, tão em voga no momento.

Diferente do que muitos esperam o filme DIÁRIOS DE MOTOCICLETA não trata do “guerrilheiro” Che Guevara, e sim das condições sociais Latino-Americanas em 1950, através das descobertas do ainda jovem médico Che Guevara, que a partir de uma viagem feita pela América Latina despertou para a necessidade de combater as injustiças feitas aos desfavorecidos. A obra mostra uma América Latina controlada por governos autoritários e ditatoriais, a existência de grandes problemas sociais, na Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Percebe-se ainda, através do filme, uma América Latina dependente do capital estrangeiro, deixando visível sua dependência e vulnerabilidade em relação às exportações e as políticas imperialistas dos Estados Unidos e da Europa, as quais interferiram diretamente em sua política, sociedade e economia. Com uma dedicação um pouco maior, o estudante pode também observar no filme, quando são mostradas cenas do antigo Império Inca, o alto grau de desenvolvimento da civilização Inca, entendendo que os latinos também tiveram civilizações antigas de grande importância para a formação cultural mundial.

 

O NOME DA ROSA, baseado no romance de Umberto Eco, é uma viagem imaginária à Idade Média europeia e o poder da Igreja Católica no período. O filme aborda a questão da ciência como caminho que leva à verdade e ao saber, com um caráter filosófico, quase metafísico, e a religião como o caminho da irracionalidade e do obscuro. Retrata um ambiente no qual as contradições e oposições, justificam as ações humanas. O confronto entre os franciscanos e os representantes da Inquisição, coloca em discussão a questão do Bem e do Mal. É também uma crítica do poder e do esvaziamento dos valores pela demagogia, violências sexuais, a luta contra a mistificação e o poder. Uma obra que no começo parece meio cansativa, mas com o desenrolar, percebe-se que é riquíssima em detalhes.

No filme A HORA DA ESTRELA é possível identificar nas imagens uma escolha pelas modificações em relação à obra de Clarice Lispector, no entanto permanece aquilo que se pode denominar a alma da narrativa da ficção. É importante o aluno identificar que no filme, como no romance, se vê reflexões acerca da existência humana e, nelas, o pensar sobre a morte e o morrer, ou seja, a utilização de análise psicológica mais aprofundada dos personagens (uma das principais características dos autores da terceira fase modernista no Brasil - posteriores aos romances regionalistas), bem como uma discussão sobre as problemáticas da cultura, da ética, da literatura e da vida e muito mais.

O AUTO DA COMPADECIDA, filme que é uma versão de uma minissérie feita para a TV, é uma das grandes comédias já feitas no cinema nacional e que agrada a todos que o assistem. A obra, como no original, retoma elementos do teatro popular, contidos nos autos medievais de Gil Vicente, e da literatura de cordel para exaltar os humildes e satirizar os poderosos e os religiosos que se preocupam apenas com questões materiais. Levanta mais uma vez a discussão entre o Bem e o Mal, com criticas aos conceitos de religião e de pecado, entre as pessoas irem para o céu e para o inferno por causa dos seus atos. O elemento religioso, a fixação da cultura popular, a presença do anti-herói e a linguagem simples bem articulada nas falas das personagens, são elementos que merecem um olhar atento por parte dos alunos.

Na película MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS percebe-se que pequenas adaptações foram feitas do livro para o filme, sem, porém, qualquer perda para o ritmo da história. O estudante deve observar no filme a fidelidade ao humor, ironia, leveza e também à liberdade do texto machadiano, a sua maneira pouco enfática de dizer as coisas, o tom quase prosaico, mas de extrema elegância que é encontrado no romance. Exemplo disso é o uso do termo espectador em vez de leitor, já que Brás Cuba faz seu relato de forma pessoal, como se conversasse com o leitor/espectador.

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS é uma obra que evidencia a cultura de valores ao apresentar o quanto o papel do educador impacta a vida dos seus alunos e que em suas mãos está a tarefa de formar cidadãos responsáveis por seus atos, críticos, mas também criativos e sonhadores, e de preparar os jovens para um mundo em constante transformação, ajudando-os a quebrar paradigmas. A película leva os estudantes a refletirem também sobre a sociedade e o sistema de ensino atual que ainda apresenta muitas semelhanças com a sociedade e a escola tradicionalista do filme: os valores sociais, o método de ensino com fórmulas já prontas, o direcionamento do estudo voltado a formar os alunos para entrarem em faculdades de primeira linha, além do conservadorismo das famílias, onde os pais ainda, por muitas vezes, impõem as suas escolhas profissionais para os filhos. Ou seja, apresenta, através de uma relação entre educador e estudantes de fins da década de 1950, as contradições das sociedades “modernas e democráticas” da atualidade.

Encantadora obra de Woody Allen, MEIA NOITE EM PARIS é um filme divertidíssimo que, como o anterior, põe em evidência o valor da literatura e da cultura. De maneira belíssima a película se propõe a debater sobre arte: como ela instala-se em nosso mundo, as atitudes admirativas das pessoas diante de uma obra, e abrange o conceito de obra-prima, que é aquilo produzido com perfeição dentro de padrões estabelecidos em diferentes épocas, colocando abaixo a visão preconceituosa de que apenas a arte de antigamente é uma obra-prima e que as de hoje são nomeadas dessa forma por conter resquícios dos padrões antigos. Mais uma vez a comparação entre o “antigo” e o “atual”. 

Ambos os filmes, SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS e MEIA NOITE EM PARIS, cada um ao seu modo, pretendem mostrar a capacidade transformadora e a dimensão prazerosa e criativa da literatura. É interessante que os estudantes percebam que os personagens desses filmes vivem rodeados por livros, autores e ideias; o que redimensiona suas vidas e as fazem mais divertidas, criativas ou reflexivas.

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